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3 descobertas científicas bizarras de setembro de 2026 que você precisa conhecer

Aranha do mar de pesadelo, fungo que planta em Marte e evidência de drogas com 25 mil anos: a ciência andou estranha (e ótima) esse mês.

por Redação GeekNaVeia4 min de leitura

Ilustração de uma criatura marinha espinhosa, um cogumelo e uma lupa flutuando juntos
Ilustração de uma criatura marinha espinhosa, um cogumelo e uma lupa flutuando juntos

Aranhas-do-mar, fungos que podem ajudar no cultivo fora da Terra e vestígios de uso de noz de bétele em dentes antigos: três pesquisas ganharam destaque em setembro de 2026. Os assuntos são bem diferentes, mas cada um oferece uma descoberta curiosa pra conhecer.

1. As “aranhas do pesadelo” descobertas no fundo do mar canadense

Pesquisadores da Universidade da Colúmbia Britânica descreveram duas espécies novas de aranha-do-mar coletadas no Mar de Salish, entre a costa da Colúmbia Britânica e o estado de Washington, nos Estados Unidos. As amostras foram recolhidas entre setembro de 2023 e agosto de 2024, mas o estudo saiu em setembro de 2026, na revista Organisms Diversity & Evolution.

Uma das espécies, batizada de Callipallene pilosuspedes (“patas peludas”, em latim), tem pernas cobertas de pelos, olhos vermelhos e garras para agarrar comida. A outra vive coberta de parasitas minúsculos o tempo todo. Reportagens da CNN e da Axios descreveram as criaturas como “material de pesadelo”, pela aparência. Além disso, aranha-do-mar não tem sangue nem pulmão como a gente, ela suga fluidos de presas com uma espécie de tromba (proboscis) e “respira” pelas próprias pernas compridas.

O detalhe mais legal: são as primeiras espécies novas de aranha-do-mar encontradas ali em quase 100 anos. Ou seja, o fundo do mar perto de casa ainda guarda surpresa.

Aliás, apesar do nome, aranha-do-mar não é aranha de verdade. Ela pertence a um grupo próprio de artrópodes marinhos que existe em oceanos do mundo inteiro, dos trópicos às águas polares. Como o corpo é minúsculo perto das pernas, parte dos órgãos digestivos e reprodutivos se estende para dentro delas. Em muitas espécies, é o macho que cuida da ninhada, carregando os ovos grudados nas próprias pernas até eles eclodirem.

Aranha-do-mar Callipallene pilosuspedes vista de perto, com pernas longas cobertas por cerdas e pequenos olhos avermelhados.Ver imagem na fonte (nova aba)

Callipallene pilosuspedes, uma das duas espécies descritas por pesquisadores da UBC no Mar de Salish. Fotografia distribuída na divulgação da pesquisa em setembro de 2026; não é uma aranha terrestre.

Crédito: Cormac Toler-Scott / University of British Columbia Ver imagem na fonte (nova aba) ↗

Uso: Disponibilizada pela UBC para uso da imprensa nesta notícia, com crédito; não é licença aberta geral. Condições de uso (nova aba) ↗

2. O fungo que pode transformar a poeira de Marte em terra fértil

Plantar em Marte não é só questão de levar sementes. O regolito marciano (a poeira e as pedras que cobrem a superfície do planeta) não tem os nutrientes básicos que uma planta precisa, como nitrogênio, potássio e fósforo. É basicamente areia estéril e hostil. Para piorar, o solo de Marte contém percloratos, sais tóxicos que já foram detectados por sondas americanas e que atrapalham qualquer tentativa de cultivo direto.

Uma revisão publicada na Frontiers in Astronomy and Space Sciences em abril de 2026 reuniu evidências de que fungos benéficos, como os do grupo dos micorrízicos arbusculares e o gênero Trichoderma, conseguem melhorar a absorção de nutrientes e ajudar plantas a suportar estresse em solos pobres, tanto na Terra quanto em simulações de regolito lunar e marciano. Testes preliminares feitos a bordo da Estação Espacial Internacional já mostraram esses fungos sobrevivendo bem em ambientes extremos.

Uma possível aplicação seria reduzir o transporte de materiais para cultivo: se conseguirmos usar fungos para preparar o solo local em vez de mandar terra da Terra em cada missão, colonizar Marte ou a Lua fica bem menos caro e bem mais viável. Cada quilo mandado da Terra custa uma fortuna.

É bom lembrar que o estudo é uma revisão de pesquisas e de testes preliminares, não uma plantação pronta em Marte. O caminho até uma horta marciana de verdade ainda é longo. Mas a parceria entre fungo e planta não é ideia nova: na Terra, a maioria das plantas terrestres já vive associada a esses microrganismos.

3. Vestígios de noz de bétele em dentes de 25 mil anos

Por último, uma descoberta que não veio do espaço nem do mar, mas de dentro da boca de gente que viveu há 25 mil anos. Vale explicar por que dente conta tanta coisa. Ele é um dos materiais que melhor sobrevivem ao tempo e guarda marcas de tudo que a pessoa mastigava, comia e usava. Um estudo publicado na Science Advances e coberto pela Smithsonian Magazine analisou dentes de caçadores-coletores da ilha de Sulawesi, na Indonésia, e encontrou marcas de desgaste nunca vistas antes em crânios humanos, além de resíduos de arecolina, o composto psicoativo presente na noz de bétele.

A conclusão é que essas pessoas chupavam nozes de bétele de forma habitual, muito antes da agricultura existir, o que torna esse achado uma das evidências mais antigas já registradas de uso recorrente de uma substância que mexe com a cabeça. O hábito pode até ter começado como um jeito rústico de aliviar dor de dente, mas, no longo prazo, destruiu o esmalte dessas pessoas. Hoje, a noz de bétele ainda é mascada por centenas de milhões de pessoas na Ásia e no Pacífico, e o uso frequente está associado a problemas de saúde bucal. Ver o mesmo hábito nos dentes de gente de 25 mil anos atrás mostra como certos costumes atravessam a história humana quase sem mudar.

Pesquisas em escalas diferentes

Nenhuma das três notícias tem relação direta com as outras. Mas elas mostram como pesquisa aparece em qualquer lugar, do fundo gelado de um mar entre Canadá e Estados Unidos até um dente fossilizado guardado num museu na Indonésia.

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